domingo, 19 de outubro de 2008

"As Estrelas"




Se as coisas são inatingíveis... ora!


não é motivo para não quere-las...


Que tristes os caminhos, se não fora


a magica presença das estrelas!
Mário Quintana

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

"Yes - Soon"

"Amargo, Doloroso e Difícil"





O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste breve,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...

domingo, 5 de outubro de 2008

"A Renúncia"



Sê o que renuncia

Altamente:

Sem tristeza da tua renúncia!

Sem orgulho da tua renúncia!

Abra a tua alma nas tuas mãos

E abre as tuas mãos sobre o infinito.

E não deixes ficar de ti

Nem esse último gesto!

Cecília Meireles

"Soneto à lua"



Por que tens, por que tens olhos escuros

E mãos lânguidas, loucas e sem fim...

Quem és, que és tu, não eu, e estás em mim

Impuro, como o bem que está nos puros?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros

Num rosto como o teu criança assim,

Quem te criou tão boa para o ruim

E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me presa

A alma que por ti soluça nua

E não és Tatiana e nem Teresa:

E és tão pouco a mulher que anda na rua

Vagabunda, patética, indefesa

Ó minha branca e pequenina lua!
Vinícius de Moraes

"Agulhas de Prata"



Com agulhas de prata

de brilho tão fino,

bordai as sedas do vosso destino.

Bordai as tristezas

de todos os dias

e repentinamente as alegrias.

Que fiquem as sedas

muito primorosas

mesmo com lágrimas presas nas rosas.

Com agulhas de prata

de brilho tão frio...

ai, bordai as sedas sem partir o fio!

Cecília Meireles

"Desenho"



Traça a reta e a curva,

a quebrada e a sinuosa.

Tudo é preciso.

De tudo viverás.

Cuida com exatidão do perpendicular

e das paralelas perfeitas.

Com apurado rigor.

Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo

traçarás perspectivas, projetarás estruturas,

número, rítmo, distância, dimensão.

Tens os seus olhos, o teu pulso, a tua memória.

Construirás os labirintos impermanentes

que sucessivamente habitarás.

Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.

Não te fatigues logo.

Tens trabalho para toda a vida.

E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.

Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.

Raramente um pouco mais.

Cecília Meireles